domingo, 22 de janeiro de 2012

Dicas Aleatórias – Dor de cotovelo, de corno, de amor



Dor de corno.
Sentimento terrível que arde o peito, perfura o cérebro (duas vezes, em cada lado) e azeda os dias, os meses e até anos. Amar alguém não tem explicação, pior quando tudo acaba e uma das partes insiste em gostar, mesmo com traição, falta de apetite sexual e carinho ou desentendimentos outros que somente uma vida a dois explica.
Se não fosse a dor de corno e o término de um amor, muitas das canções que hoje cantamos em uníssono nunca teriam sido compostas. As lágrimas em melodias não seriam sinceras. A identificação não aconteceria.
A ardência dessa melancolia é inspiradora e deve ser por isso que o sertanejo pop impera nas ondas radiofônicas. Contrariando o gênero, mas contendo uma boa dose de breguice, seguem quatro músicas perfeitas para embalar esse sentimento idiota que enlouquece muita gente, inclusive esse que vos escreve. Mas por que quatro? Porque esse tipo de coisa vem em pares, entendeu?

1 – “Depois” – Marisa Monte – Presente no disco recente da cantora, “O Que Você Quer Saber de Verdade”, a canção é repleta de referências jovem-guardianas, como se o Roberto Carlos tivesse composto a melodia. Os versos destroem e fica aquela impressão: será que queremos mesmo que o outro seja feliz? Para a Marisa, a resposta é sim. “Depois de sonhar tantos anos, de fazer tantos planos de um futuro pra nós, depois de tantos desenganos, nós nos abandonamos como tantos casais. Quero que você seja feliz. Hei de ser feliz também”. Eca!

2 – “Mi Vida Eres Tu” – Vanguart – A melhor canção do disco “Boa Parte de Mim Vai Embora”, o último dos cuiabanos, remete ao tempo de Odair José, como um brega pop de primeiro quilate, que possui a certeira frase: “E se eu sou triste, a causa é você”. Quem nunca disse isso ao ser sem coração que acabou de te abandonar? Perfeito.

3 – “As Canções Que Você Fez Pra Mim” – Roberto Carlos – Em qualquer lista que se preze e trilha sonora para um fim de romance, o Rei precisa estar presente, ainda mais a sua fase sessentista. Essa canção é um corte minucioso no coração, com um pouco de soul music e um tecladão que te leva à perfeita dor de corno. “É tão difícil olhar o mundo e ver o que ainda existe, pois sem você meu mundo é diferente, minha alegria é triste. Quantas vezes você disse que me amava tanto, tantas vezes eu enxuguei o seu pranto e agora eu choro só sem ter você aqui”. Foda! O Roberto é foda!

4 – “O Que Me Importa” – Tim Maia – Apesar de não ser uma composição sua, foi o Tim que eternizou essa canção, que já teve releitura feita pelo IRA! e pela Marisa Monte. O cara da música está transtornado e é de uma sinceridade tamanha que não quer nem saber do sentimento do outro. “O que me importa ver você chorando, se tantas vezes eu chorei também. O que me importa sua voz chamando se pra você jamais eu fui alguém”.







Leonardo Silveira Handa

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Impressões – “Recanto” – Gal Costa




Somente agora parei para pesquisar sobre “Recanto”, o tão falado disco “eletrônico” da Gal Costa, produzido e composto inteiramente por Caetano Veloso. Parceiros de longuíssima data, desde quando os dinossauros recitavam poesia, eles têm uma conexão quase macrobiótica. A dupla, inclusive, lançou lá na década de 1960 o disco “Domingo”, repleto de sambinhas deliciosos.
O tempo voou extraordinariamente, cada qual seguiu caminhos diferentes, mas ao mesmo tempo conectados. Não à toa, a Gal talvez seja a mais perfeita tradução para as músicas de Caetano. Reflexo disso é o disco “Recanto”, um álbum autoral que apenas utiliza a voz da baiana como instrumento, já que a sua participação na criação é praticamente inexistente. Em entrevistas, a cantora confessou que foi apenas dirigida, deixou tudo a cargo de Caetano e dos filhos do compositor, Zeca e Moreno Veloso.
Depois de vários discos guiados pelo piloto automático, sem aquele frescor juvenil que transpirava na década de 1970, Gal arriscou em seu novo trabalho. Ou talvez tenha sido indagada ou convencionada a mudar. O resultado é radical? Com absoluta certeza. Pena que dá a impressão que a cantora está pouco a vontade, não conseguindo encontrar o ponto de equilíbrio entre as batidas eletrônicas e as melodias dos versos.
Uma das canções, chamada “Neguinho”, como já disse Caetano, poderia ser regravada, facilmente, pela Lady Gaga. O cantar, quase declamado, destoa tudo daquilo que temos na memória com relação à voz de Gal. Em outras, como “Recanto Escuro”, trazem as características vocais da princesa do tropicalismo, no entanto, muito mais contidas devido as bases eletrônicas e ao tom baixo, algo que causa uma estranheza e fascinação, como se fosse uma Björk fora do contexto proposto.
No fim das contas, “Recanto” é um álbum bom? Regular seria o termo apropriado, mas mostra que tanto Caetano quando Gal estão dispostos a não se acomodar, mesmo não precisando provar nada a ninguém, somente a eles mesmos.


Leonardo Handa

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Dicas Aleatórias - Tributo ao Los Hermanos




Em 2012 a banda Los Hermanos comemora 15 anos de uma carreira vitoriosa que ficou marcada com um hit de verão grudento e depois enveredou pelo avesso, conquistando fãs tão fanáticos que em catarse abafavam o som do grupo em shows Brasil afora.


Para não passar em vão, a banda já anunciou uma mini-turnê que passará por algumas capitais do pais, inclusive em Curitiba, no festival Lupaluna. Mas essa não será a única forma de lembrar o aniversário. O blog Musicoteca está organizando o tributo "Re-Trato", que contará com 33 artistas brasileiros que fizeram versões das canções do grupo carioca. Previsto para ser lançado em abril, um teaser foi lançado recentemente, com a cantora baiana Nana, que mostra a sua leitura para "Retrato Pra Iaiá", do disco "Bloco do Eu Sozinho". A versão ficou doce e delicada que nem parece uma música sobre a morte.


Leonardo Handa