sábado, 2 de abril de 2011

Dicas Aleatórias – Tiê – “A Coruja e o Coração”

Agora tem bateria, alguns já disseram. Outros indagaram: - precisava regravar um hit do Calcinha Preta? Se isso se trata de evolução, claro, pode ser, por que não? A Tiê conseguiu fazer mais do mesmo em seu novo álbum, “A Coruja e o Coração”, com pitadas de ousadias e um repertório redondo.

O trabalho possui regravações, dessa maneira, não cabe aqui o caráter novidade, afinal, os atentos de plantão já conheciam “Só Sei Dançar Com Você” na voz de Tulipa Ruiz e “Mapa Mundi” na voz de Thiago Petit. O que difere, lógico, é o desenho do arranjo. Na primeira, um banjo enfeita a camada sônica para que Tiê lance a doçura da sua interpretação nessa crônica do amor. Na segunda, também acompanhada de banjo, a valsinha ganha vocal dobrado e continua na mesma linha sensível interpretada por Petit. Resumindo: ficaram lindas.

A poética simples e direta encontrada em “Sweet Jardim”, primeiro disco da ex-modelo da Ford, permanece em “A Coruja e o Coração”. “Perto e Distante” é um ótimo exemplo, que ganha destaque na metade da faixa com um sopro melodioso que ilumina o lado mais escuro da vida. A música tem a participação do cantor uruguaio mais brasileiro da atualidade, Jorge Drexler.

A audácia de fato está na regravação de “Você Não Vale Nada”, revertida com castanholas em um ritmo espanhol. A letra emoldurada pela voz de Tiê ganhou mais sentido, sobretudo àquelas pessoas que recentemente terminaram um relacionamento. Se a Maria Gadú vomitou sentimento em “Baba Baby”, a Tiê engrandece o hit do grupo Calcinha Preta.

“A Coruja e o Coração” é bonito, repete algumas ideias, mas o conforto escolhido por Tiê ainda é o correto. Ao menos ela não ousou em colocar ruídos eletrônicos para disfarçar a falta de talento, afinal, habilidade a cantora tem.


Leonardo Handa - Jornalista

1 comentários:

  1. Não consigo parar de ouvir! Nesse álbum ela não vem sozinha, como no primeiro em que encarava os acordes apenas com o singelo violão. Não encare o “apenas” como inferioridade, pelo contrário, digo que ela se basta. Mas agora, acompanhada, ela mostra que ganhou terreno. Em vários momentos deste álbum me peguei lembrando de Beirut... os arranjos são lindos! “Te mereço” e “Perto e distante” por hora são as minha favoritas. Sobre as regravações, essa reinvenção da música é algo fascinante e está tomando conta da nova MPB. Assim como Letuce aparece num recente ep cantando "Só pra contrariar", ouviu? Haha.

    Gostei Leo,

    Viva la música!

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